Introdução à filosofia da ciência

Primeiro, devemos compreender como surgiu o conceito de ciência na Grécia antiga, pois, apesar de, atualmente, definirmos a ciência moderna através da revolução científica, isso não quer dizer que a ciência teve início na idade moderna, a partir do século XIV, pois o ser humano já fazia ciência muito antes desse período.

Mas afinal, como nós podemos definir uma teoria como sendo científica? Qual é o método que devemos percorrer para definir uma verdadeira teoria científica? Como podemos diferenciar o que é ciência do que não é ciência?

Devemos partir então das origens da relação entre ciência e filosofia. Desde que o ser humano tomou consciência acerca de si mesmo, ele sempre buscou conhecer o mundo ao seu redor. O ser humano sempre foi curioso em aprender aquilo que está à sua volta. Primeiramente, porque ele precisa sobreviver, por isso houve a necessidade de se dominar o fogo e a agricultura, por exemplo. Ele teve que desenvolver instrumentos e teorias para melhorar a sua vida, por isso a importância do domínio dos fenômenos naturais para colocá-los a favor da sua subsistência, por exemplo, saber diferenciar as estações do ano para praticar a agricultura, através da leitura das estrelas.

Tal conhecimento conseguiu se desenvolver através da união entre a ciência e a filosofia, a ciência para que possamos aprender acerca da realidade à nossa volta, e a filosofia para saber questionar acerca daquilo que está à nossa volta, para assim dominar a realidade.

As primeiras civilizações sedentárias, que se estabeleceram em um único local e deixaram de ser nômades, originárias da África e do Oriente Médio, ao compreender a dinâmica da cheia dos rios, condicionaram, a partir da ciência e da filosofia, a fertilização do solo, até mesmo em áreas distantes da presença da água em forma natural, algo muito perceptível no Egito, com as civilizações que se estabeleceram ao redor do Rio Nilo, na qual utilizavam instrumentos e técnicas para desviar a água do rio para as suas plantações. Assim, os gregos antigos, quando entraram em contato com a ciência e a filosofia egípcia, foram responsáveis por difundir e aprofundar as perspectivas do saber, incluindo até mesmo a dimensão do saber pelo saber, isso é, o conhecimento com o valor em si mesmo. Assim surge a filosofia ocidental.

Esse momento de busca pelo saber certo e seguro, que os gregos chamaram de episteme (conhecimento em grego), ocorre quando o nosso saber começa a ficar bem fundamentado, ao utilizarmos da lógica, da observação, da argumentação e do diálogo. Portanto, a meta da filosofia é a busca pela ciência (do latim scientia, que significa sabedoria ou conhecimento), por isso é que, desde os primórdios, a filosofia e a ciência estão unidas, mesmo que elas tenham se separado em várias subáreas no decorrer do tempo. Por isso, podemos dizer que a filosofia é um instrumento a serviço da ciência, pois desenvolver teorias científicas sem o fundamento da filosofia é algo quase impossível, porque você precisa do questionamento filosófico para poder desenvolver uma verdadeira teoria científica. Surge assim a necessidade de uma filosofia da ciência, que tem por objetivo investigar os fins e as prioridades a que a ciência se propõe, ou seja, qual é o objetivo que as ciências se propõem? Afinal, é a humanidade quem deve estar a serviço da ciência ou a ciência é quem deve estar a serviço da humanidade? Será que a ciência deve ser desenvolvida sem critérios éticos e políticos ou a ética e a política são importantes para o bom desenvolvimento da ciência? Na mão de quem deve estar o conhecimento científico?

Autor: João Paulo Rodrigues