Pré-socráticos

Os primeiros filósofos gregos viveram na Jônia, uma região da costa sudoeste da Anatólia, hoje na Turquia. Ficava entre Mileto e Fócia, e era banhada pelo mar Egeu. Posteriormente, estes filósofos viveram na Magna Grécia, denominação que recebia o sul da península Itálica, região colonizada na Antiguidade pelos gregos depois da segunda diáspora grega. Num sentido mais amplo, inclui também a ilha da Sicília, onde também se verificou o fenômeno de colonização grega.

Foram chamados de pré-socráticos por conta de uma classificação posterior da filosofia antiga que tinha como ponto de referência o pensador Sócrates, devido à mudança do objeto de estudo realizada por Sócrates na filosofia grega antiga, a saber, enquanto os filósofos pré-socráticos estudavam o mundo natural, chamado pelos gregos de physis, que em grego significa “mundo físico” e “natureza”, o que inclusive conhecemos hoje por física, Sócrates, por sua vez, tinha como foco o estudo do ser humano e da sociedade. Porém, não é correto afirmar que todos os filósofos pré-socráticos viveram antes de Sócrates, pois alguns deles foram contemporâneos do filósofo ateniense, e se foi realizada uma classificação desses primeiros filósofos tendo por base a filosofia de Sócrates, isso se deve principalmente pela diferença do objeto de estudo que relatamos aqui anteriormente.

Muito pouco sobrou das obras dos filósofos pré-socráticos, restando somente fragmentos e comentários feitos por filósofos que vieram depois deles. Mesmo assim, seus fragmentos constituem uma riquíssima fonte de conhecimento e reflexão filosófica, devido aos pensamentos e questionamentos que os argumentos e as teorias propostas por eles nos trazem até hoje.

A novidade apresentada pelos primeiros filósofos era a de que eles tentavam explicar a realidade não mais pelo viés da interferência divino-mitológica, mas sim por si mesmos, através da “razão”, chamado em grego de logos. Esta é então a passagem “do mito ao logos”, em outras palavras, da explicação mitológica à explicação racional. Desse modo, os pré-socráticos utilizavam-se de argumentos lógicos e rigorosos para explicar o mundo real. Essa é, portanto, a ruptura entre o mito e a filosofia, pois enquanto o mito se apresenta como uma verdade inquestionável, a filosofia, por sua vez, rejeita explicações sobrenaturais e busca uma definição rigorosa e racional da realidade e dos conceitos.

Uma das maiores preocupações dos primeiros filósofos era encontrar a arché, termo grego que significa “princípio original”, ou seja, eles buscavam estabelecer racionalmente qual era o elemento que deu origem ao universo, ou elementos, além de tentar descobrir qual era a composição, a sustentação e a transformação da physis. A partir de então, cada filósofo pré-socrático tentou definir a sua própria arché, apresentando argumentos consistentes que sustentavam suas teorias, alguns deles partindo de uma visão monista, na qual identificavam apenas um elemento que constituía todas as coisas do mundo real, outros partindo de uma visão pluralista, na qual definiram múltiplos princípios que compõem o fundamento da physis.

Autor: João Paulo Rodrigues


Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

GARCIA, José Roberto; VELOSO, Valdecir da Conceição. Eureka: construindo cidadãos reflexivos. Florianópolis: Sophos, 2007.

https://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%B4nia#:~:text=J%C3%B4nia%20ou%20J%C3%B3nia%20(em%20grego,%2C%20como%20se%20pode%20pensar).

https://pt.wikipedia.org/wiki/Magna_Gr%C3%A9cia#:~:text=Magna%20Gr%C3%A9cia%20era%20a%20denomina%C3%A7%C3%A3o,o%20fen%C3%B3meno%20de%20coloniza%C3%A7%C3%A3o%20grega