Parmênides de Eleia - O Ser

O filósofo pré-socrático Parmênides de Eleia foi um dos principais pensadores da denominada Escola Eleata, um movimento filosófico surgido na cidade de Eleia, na Magna Grécia, local onde hoje se situa o Sul da Itália. Outros representantes dessa escola são os filósofos Xenófanes e Zenão.

Parmênides, assim como os outros filósofos da Escola Eleata, não fundamentou a sua arché em um princípio material e definido. Ao invés disso, o filósofo acreditava que havia uma espécie de organização racional em todo o universo que era infinita, imóvel e imutável. Por isso, Parmênides determinou que o princípio do universo é aquilo que ele chamou de SER, que é eterno, imóvel e origem de todas as coisas. Assim, tudo o que existe possui o SER em si, pois, a partir da premissa de que algo existe, Parmênides deduziu que esse algo não pode também não existir, pois isso envolveria uma contradição lógica. Ou seja, “o ser é e o não ser não é”, já que, por um lado, o “ser”, que existe, é, pois é idêntico e indica a si mesmo, por outro lado, o “não ser” não é, pois não existe, já que o “não ser” não possui identidade. Em outras palavras, o que existe pode ser enunciado e pensado, enquanto que o que não existe não poderia ser enunciado e nem pensado.

Esse tipo de pensamento pode parecer meio confuso de início, mas vamos ilustrá-lo para que você possa entender melhor. Para isso, vamos fazer a seguinte experiência mental: tente pensar em algo que não existe. Meio difícil né? Pois você pode até pensar em seres fantasiosos, como, por exemplo, o minotauro ou o grifo, mas repare que, ao pensar nesses seres, o que estamos fazendo é uma colagem de animais que existem na realidade. No caso do minotauro, há uma junção de um corpo humano e uma cabeça de touro, e, no caso do grifo, há uma união entre um ser que tem a cabeça e as asas de águia e um corpo de leão. Portanto, esses seres são chamados de quimeras, que são uma combinação entre dois ou mais seres que existem no mundo real. Assim sendo, nós até podemos pensar acerca de seres ou objetos que existem só em nossa imaginação, mas, mesmo assim, só conseguimos pensar em tais coisas pois cada uma das partes imaginadas existem no mundo físico, por isso, não conseguimos pensar acerca de coisas que não existem, pois, a partir do momento em que pensamos em tal objeto ou ser, é porque nós já observamos suas partes em algo que existe no universo.

Segundo Parmênides, a existência está presente somente no que existe de modo infinito e imóvel, através de sua essência, pois, contrário à teoria proposta pelo filósofo Heráclito, de que tudo está em constante movimento, para Parmênides a essência é fixa, eterna e imutável, afinal, algo não pode vir do nada, pois deve sempre ter existido em alguma forma. Portanto, as mudanças que percebemos à nossa volta são ilusórias. Afinal, de acordo com Parmênides, não há movimento, porque tudo o que vemos de movimento não passa de ilusão causada por nossos sentidos. Tudo o que é real deve ser eterno, imutável e ter uma unidade indivisível, ou, como diria Parmênides: “Tudo é uno”.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

PORFíRIO, Francisco. "Parmênides"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/parmenides.htm. Acesso em 31 de março de 2021.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

Os Pensadores. Os Pré-socráticos. Trad. José Cavalcante de Souza. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1996.