Zenão de Eleia - Paradoxos

Zenão de Eleia nasceu na cidade de Eleia, que atualmente fica na Itália. Não se sabe ao certo quando este filósofo nasceu e morreu, pois as datas de seu nascimento variam entre 504 a 485 a. C. Zenão influenciou na política de Eleia, contribuindo na construção das leis da sua cidade. Conspirou contra a tirania de sua época, e, por isso, foi preso, torturado e, por não entregar o nome dos seus comparsas, acabou perdendo a vida provavelmente por volta do ano 430 ou 425 antes de Cristo.

Escreveu vários livros em prosa, que se perderam com o tempo, a saber: Discussões, Contra os Físicos, Explicação Crítica de Empédocles e Sobre a Natureza. Foi considerado o criador do método dialético como modo de argumentação sistemática, chamada também de erística, que é a arte ou técnica da disputa argumentativa no debate filosófico, baseada na habilidade verbal e na capacidade de raciocínio. Zenão defendeu a posição filosófica de seu mestre Parmênides, filósofo este que você pode conferir no card acima, que apresentava a arché como sendo o ser único, contínuo e indivisível, e indo contra a ideia da arché como sendo múltiplo, descontínuo e divisível defendido pelos pitagóricos. Por isso, para Zenão, não haveria um elemento único que teria dado origem ao universo, pois a natureza possuía como principal característica a imobilidade e as essências eternas, portanto, se não existia mudança, não existia movimento.

A principal característica da filosofia de Zenão era a formulação de argumentos armados com aporias, dúvidas racionais que apresentam situações impossíveis de serem resolvidas e que consiste na demonstração de paradoxos que são difíceis de serem refutados, na qual são apresentados argumentos que, inicialmente, tentam provar a existência do movimento, mas que, posteriormente, mostra argumentos que tentam provar que o movimento não existe, resultando em uma conclusão que apresenta a ideia de que o movimento é algo sem sentido.

Para ilustrarmos melhor a sua ideia, vamos apresentar aqui dois dos seus mais famosos paradoxos. O primeiro paradoxo é o da corrida entre Aquiles e a tartaruga. Nesse paradoxo, Aquiles, que é considerado o corredor mais ágil entre os heróis da mitologia grega, é colocado na situação de uma corrida com uma tartaruga, na qual é dada à tartaruga uma pequena vantagem. Zenão demonstra que Aquiles nunca conseguiria alcançar a tartaruga, pois, se o movimento é uma ilusão, a cada instante existiria um espaço ocupado por um corpo separadamente e então seria impossível levar em consideração os instantes em sequência, portanto, existiria um espaço que nunca seria preenchido entre Aquiles e a tartaruga.

O segundo paradoxo é o do arqueiro, na qual Zenão apresenta o argumento de que a flecha que o arqueiro atira nunca conseguiria alcançar o alvo, pois, entre o arqueiro e o alvo, existiria um espaço que pode ser dividido infinitamente, tendo assim infinitos espaços a serem percorridos. Além disso, Zenão apresenta o argumento de que a flecha ocupa um espaço a cada instante, não sendo possível então pensar na ideia de que a flecha se move, mas que a flecha, na verdade, ocupa sucessivos estados de repouso. Porém, Zenão não levou em consideração o número de pessoas que já morreram por causa de ataques de flechas, já que a realidade se apresenta de modo diferente aos paradoxos de Zenão, mesmo assim o filósofo ainda tem seus méritos ao nos apresentar a reflexão de que podemos dividir o espaço e o tempo de modo infinito.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

Os Pensadores. Os Pré-socráticos. Trad. José Cavalcante de Souza. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1996.

https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/zenao.htm