Aristóteles - Metafísica - As quatro causas

O texto abaixo trata de uma parte da metafísica de Aristóteles, ou, como o filósofo chamava, a filosofia primeira. A palavra metafísica significa “além da física” em grego, ou seja, se trata das questões que transcendem o mundo físico, por tratar de conceitos abstratos, conceitos não físicos, como é a questão da busca da existência do ser, sua causa e qual é o sentido do ser. Para exemplificar a metafísica aristotélica aqui abordada, vamos utilizar o conceito cadeira como exemplo.

Aristóteles foi um dos maiores críticos do seu mestre Platão, isso porque, enquanto Platão acreditava que existiam dois mundos, a saber, o mundo sensível, que é esse mundo físico na qual nós percebemos através dos nossos sentidos, como, por exemplo, as cadeiras que observamos por meio da nossa visão, e o mundo das ideias, um mundo superior onde estariam as ideias acerca de todas as coisas, de onde provém todo o conhecimento verdadeiro, ou seja, seria o local na qual haveria uma ideia universal acerca da cadeira. Aristóteles, por sua vez, apresenta a teoria de que existe apenas um mundo, o mundo sensível, e que seria através das experiências que temos nesse mundo sensível é que conseguiríamos conhecer as coisas, alcançando assim o verdadeiro conhecimento, ou seja, seria através do uso dos nossos sentidos é que teríamos a possibilidade de conhecer uma cadeira, não sendo necessária a noção de um mundo das ideias, como foi proposto pelo filósofo Platão.

Para chegarmos ao conhecimento verdadeiro, segundo Aristóteles, precisamos passar por um processo do conhecimento. Primeiro, devemos usar os nossos sentidos para captar o mundo, por exemplo, quando éramos pequenos, nós usamos a visão para vermos uma cadeira pela primeira vez. Depois de um certo tempo observando algumas cadeiras diferentes, mas ao mesmo tempo semelhantes em certos aspectos, nós partimos para segunda etapa, que é quando nós usamos a nossa memória para ir arquivando em nossa mente todas as cadeiras que observamos no decorrer de nossa vida, organizando em nossa mente as informações do que é uma cadeira. Por fim, na terceira etapa, nós começamos a ter a capacidade de descobrir as causas daquilo que nós conhecemos, pois passamos então a descobrir a essência das coisas, ou seja, a essência da cadeira, e poderemos então saber diferenciar uma cadeira de uma poltrona, por exemplo.

Desse modo, conseguimos definir o que faz uma cadeira ser uma cadeira, descobrindo assim as “quatro causas” que compõem uma cadeira, a saber, as causas que levam à existência da cadeira ou à existência de qualquer outra coisa. Uma das causas da cadeira é a sua causa material, a matéria da qual a cadeira é feita, que pode ser de madeira, de plástico, de ferro, entre outros materiais que podem compor uma cadeira. Outra causa seria a causa formal, a forma que a cadeira possui, com assento e encosto, que diferencia uma cadeira de um banco, por exemplo. A terceira causa seria a causa eficiente, aquilo que deu impulso à existência da cadeira, por exemplo, se estivermos falando de uma cadeira de madeira, quem provavelmente deve ter feito ela pode ter sido um marceneiro. Já a quarta causa é a causa final da cadeira, ou seja, o objetivo, a finalidade para a qual a cadeira foi feita, no caso, sabemos que a cadeira foi feita para se sentar e para apoiar as nossas costas. As quatro causas são então o que explicam o movimento e a existência das coisas segundo o filósofo Aristóteles.

Autor: João Paulo Rodrigues

Referências:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. FILOSOFANDO: Introdução à Filosofia. 6ª Edição. São Paulo; Editora Moderna, 2016.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Metaf%C3%ADsica